Autonomia: uma filosofia de vida.

05-11-2010 00:53

 

Pensamentos sem conteúdo são vazios, instituições sem conceitos são cegos (Kant). Kant foi um grande filósofo que pôs em questão o conhecimento, a razão e o pensamento humano. A seguir, a equipe do aprendendoapensar apresenta um texto de Kant refletindo sobre a autonomia do pensar do homem.

   " Ilustração é a saída do homem de seu estado de imaturidade, imposto por ele mesmo. Imaturidade é a inabilidade de usar o seu próprio entendimento sem ser guiado por um outro. Essa imaturidade é autoimposta, pois sua causa não vem de falta de entendimento, mas de falta de determinação e coragem para usar seu entendimento sem a tutela de outro. Sapere aude! ( Ouse saber! ). “Tenha a coragem de usar seu próprio entendimento!”, esse é o lema da Ilustração.

   Preguiça e covardia são as razões pelas quais uma proporção tão grande de homens, muito tempo depois de a natureza tê-los libertado de suas imposições (…), assim mesmo permanecem satisfeitos em suas persistentes imaturidades, por isso é tão fácil a outros tornarem seus guardiões. É tão fácil ser imaturo. Se tenho um livro que subistitua meu entendimento, um pastor que sirva como minha consciência, um médico para determinar qual seja minha dieta, e assim por diante, eu não preciso usar minhas habilidades. Eu não preciso pensar se eu posso pagar: outros prontamente farão para mim o serviço desagrádavel.

(…) Assim, é difícil para qualquer indivíduo conseguir sair da imaturidade, que se torna como que uma segunda natureza (…), apenas uns poucos conseguem, cultivando sua própria mente, libertar-se da imaturidade.

(…) Quanto ao público é de esperar que aconteça sair da imaturidade; (…) se a ele for dada liberdade, a Ilustração é inevitável (…). E a liberdade em questão (…) é a liberdade de usar publicamente a razão em todos os assuntos."

Kant, Immanuel. What is enlightenment? Disponível em: www.english.upenn.edu/~mgamer/Etexts/Kant.html (Adaptado)

 

Comentário da equipe aprendendoapensar:

   Realmente, a autonomia de pensamento das pessoas está pouco estimulada na nossa sociedade. A falta de necessidade de ter opiniões próprias, a preguiça e velocidade em que as informações circulam fazem com que a reprodução de pensamentos alheios se tornem mais fáceis do que a formulação de um pensamento próprio. O grande prejuízo disso tudo é o déficit de mentes que sejam atuantes e que façam críticas ao meio em que se encontram. Essas críticas em que põem em questão padrões, ideais, politícas são as que desenvolvem um país, uma socidedade.

   A falta de maturidade está presente no mundo todo. Desde os países desenvolvidos, que tem um nível maior de educação, até os países de terceiro mundo. No Brasil não é diferente. Quando estamos pensando que o país já se desenvolveu e que miramos sempre o futuro, podemos fazer um paralelo e afirmar que o nosso país assemelha-se ao tempo da República Velha, onde as camadas mais pobres da população não tinham ideias formadas e se deixavam levar pelo pensamento da elite oligárquica presente na época. Sem dúvida que o contexto em que vivemos é diferente, mas os princípios que estamos pondo em questão são os mesmos: pessoas se deixando dominar pelo pensamento de outras. Milton Santos, um geógrafo brasileiro que discutia o fenômeno da globalização, defendia que existia um tipo de sistema chamado de ''Globalização enquanto fábula'', em que as pessoas acham que, com o fluxo de informações atual, estão sendo informadas enquanto na verdade, estão sendo estimuladas a consumir. Esta afirmação remete àquilo que estamos discutindo, pois com a falta de coragem de usar seu próprio entendimento as pessoas se deixam levar por aquilo que a sociedade impõe e acham que estão bem informadas. A partir dessa ideia, o ser humano não dá o devido valor que tem que ser dado ao pensamento e perde a oportunidade de desenvolver aquilo que realmente desenvolve o mundo: a inteligência.