Como ganhar votos em uma semana

27-09-2010 19:28

   A corrida presidencial já está no fim e a busca incansável para ganhar votos ainda não acabou. Na busca pelo poder, destacam-se 3 candidatos e objetivos diferentes. Dilma Rousseff, candidata petista ao governo, quer manter a virada histórica que deu sobre o candidato tucano e ficar na faixa dos 51% das intenções de voto e vencer no primeiro turno. José Serra, candidato do PSDB, cuja porcentagem de intenção de votos despencou desde a sua candidatura busca tirar alguns votinhos de sua rival petista para tentar reverter o quadro no segundo turno e chegar ao tão sonhado cargo presidencial. Marina Silva, candidata à presidencia pelo PV, que se auto denomina “ nem de esquerda nem de direira, mas sim a frente”, possui a menor porcentagem de intenções de votos até o momento, mas vem crescendo nas pesquisas realizadas.

   Até aqui, qualquer pessoa que assiste 30 minutos de televisão por dia já sabe. A grande questão de uma eleição presidencial são os motivos e consequências dos possíveis resultados.
 

Os porquês...

   No começo das candidaturas para a presidencia da república, o candidato mais conhecido e falado para ocupar esse cargo era o tucano José Serra, então governador do estado de São Paulo. Marina Silva já era cogitada para a disputa e já obtinha uma modesta simpatia por parte dos eleitores. A grande interrogação ficava por parte do PT e seu candidato. Sabia-se antemão que qualquer candidato que entrasse concorrendo pelo PT teria um grande apoio do então popular presidente Lula. Em época de lançamento de candidaturas, Dilma Rousseff , ministra da casa civil, saiu a frente defendo o PT e a sucessão do atual governo. Mas a grande pergunta era: Quem é Dilma? De onde essa candidata saiu?

   Começou a corrida do planalto. José Serra saia disparado à frente, com quase 50% das intenções de voto. Dilma aparecia atrás, na casa dos 20%, Marina com 8%. Tudo ia caminhando para a vitória do persistente tucano, que respirava um pouco aliviado, mas estavam começando as propagandas eleitorais. Neste momento presenciava-se uma das maiores viradas e transfêrencia de votos já vistas no Brasil.

   Dilma era acompanhada em todo lugar pelo seu principal “marqueteiro”, o companheiro dos 80% , Lula. Em pouco tempo de candidatura, Dilma passava o candidato tucano e liderava as pesquisas. Enquanto isso, Marina mantinha o seu percentual. Pergunta-se: Como é possível uma pessoa que quase nunca apareceu na mídia, nunca teve seu nome tão divulgado a ponto da população conhecê-la, ter tanto índice de voto? É possível. Lula conseguiu transferir uma massa de sua popularidade para Dilma e conseguiu fazer com que quase metade dos brasileiros, segundo as pesquisas, acreditassem que ela seria a sucessora de suas ideias e forma de governo. As intenções de votos para Serra caíram quase pela metade, mesmo que com mais experiência e mais “bala na agulha” do que sua principal rival. Marina, através de boas propostas e coerente discurso, apresentou pequena melhora.
 

Consequências e receios...

   Ao que tudo indica, Dilma Rousseff ou ganhará no primeiro turno ou com certeza estará no segundo turno com um dos outros dois candidatos. Serra está tentando recuperar o que já lhe pertencera um dia: a preferência do eleitor. Marina tenta de degrau em degrau construir a sua escadinha para o sonhado segundo turno com sua rival feminina. Podem-se apresentar algumas consequências e receios para o suposto governo de cada um.

   Começando pela candidata do PV. Marina Silva traz uma grande dúvida ao povo brasileiro. Suas propostas trazem um ar revolucionário, inovador para o espaço globalizado atual. Baseado em principios de sustentabilidade, a candidata afirma que o país ainda deve se voltar para formas de desenvolvimento sustentável para continuar crescendo e se enquadrar na futura política que está surgindo no mundo, referente a preservação do meio ambiente. Mas ao propôr isto, o povo brasileiro infelizmente acha que a política atual diz que o desenvolvimento econômico de um país não se pode conciliar com preservação ambiental. Se isso é verdade ou não, é outra questão, mas Marina não aumenta consideravelmente o seu percentual por terem um estereótipo da candidata seja como moralista ambiental seja como utópica.

   Já o candidato do PSDB, José Serra não está abaixo das pesquisas por suas ideias ou seu currículo, mas sim por carregar a sombra de um governo passado, que não privilegiou tanto políticas sociais como o atual governo, e também pelo grande medo da massa popular caso este chegue ao governo e deixe de lado a política assistencialista do governo petista. Experiência e boa administração não podem ser colocadas em questão no caso do tucano. Mas o que deixa um grande ponto de interrogação na cabeça dos brasileiros é a sua fama de elitista.

   Dilma Rouseff é a grande surpresa ( e a mais questíonável ) desta eleição. Na frente das pesquisas em todos os órgãos que as realizam, sem dúvida a popularidade da candidata se deve à ideia do povo de que o seu governo será continuidade do governo atual. Assistencialismo, facilidade do crédito, desenvolvimento econômico e acesso a educação ( como o PROUNI ) são reforços que o apoio do presidente Lula traz à candidatura da petista. Mas pode-se perguntar e está sendo perguntado por seus concorrentes: qual a sua experiência enquanto governante? O que se pode esperar de uma candidata que só consegue votos na sombra de outro? A candidata se defende dizendo que em seus muitos cargos, como ministra de minas e energia, como ministra da casa civil, lhe proporcionaram muita experiência. Mas será que isso é suficiente para a importância de um cargo como a presidência? Dizer que a Dilma seria uma má presidente, isso não se pode, afinal ela ainda nem chegou a um mandato. Entretanto, entregar o governo de um país em pleno desenvolvimento econômico nas mãos de uma pessoa com experiência questionável, podemos sim afirmar que teoricamente não seria a coisa certa a fazer.