O caminho da democracia

15-11-2010 18:27

Não foi como o esperado..

Todos estavam preparados para a vitória da candidata Dilma no primeiro turno das eleições 2010. Era o que apontavam todos os institutos de pesquisas. É chegado o 3 de outubro e o tão esperado resultado sairá. Em primeiro lugar, definitivamente não ocorreu o que todos esperavam. Dois pontos aqui podemos destacar, pontos de extrema importância nesse contexto eleitoral. Um falaremos agora, o outro está no fim desta pequena narrativa.

O primeiro é a “derrota” dos institutos de pesquisas. Todos apontavam maioria petista, com quase 52% dos votos no país, o que não aconteceu.

O lado petista da história

Dilma finalizou o primeiro turno com 46,9% dos votos. Pouca a diferença entre o esperado e o que se realizou? Sim. Mas o que isso representa deixa muito mais marca do que sua simbologia numeral. A não vitória de Dilma no primeiro turno das eleições presidencias representou uma grande frustação para toda a rede eleitoral petista, representou um grande “balde de água fria” nas expectativas e esperanças daqueles que contavam vitória certa para a candidata. Mas o caro leitor deve estar se perguntando - mas espera aí, não é tão grave assim, tá indo pro segundo turno com certa vantagem, não perdeu ( o que já conta muito ), e é bem provável que ganhe no segundo turno. O que estão achando ruim? - É pior do que parece. Ir pro segundo turno significa traçar toda uma nova estratégia para conseguir mais votos do que conseguiu no primeiro turno, é redefinir temas, é falar mais “baboseiras para o povo acreditar” nas propagandas eleitorais, novos gastos, novas propagandas, novas viagens eleitorais, novos debates para se crucificarem vivos diante do Brasil inteiro. É muita coisa para quem já contava com aquilo que não veio.

 

O lado tucano da história

Contra os institutos de pesquisas, os tucanos comemoravam o resultado. Vale ressaltar aqui que essas pesquisas pré-eleição definem sim muitas vezes o resultado dela. O povo brasileiro geralmente tem a mania de votar só nos candidatos que estão vencendo ou que tem chance de vencer. Se a primeira pesquisa, e a segunda, terceira e quarta divulgarem que apenas dois candidatos tem percentual o bastante para vencer, não tenha dúvida que os outros estão completamente fora da disputa pelo poder. A ideia de “perder o voto” se votar em candidato que tem poucas chances de ganhar impera no território brasileiro. Assim de voto em voto, que poderiam mudar a condição desses que não aparecem nas pesquisas, vai mudando o resultado da eleição. Um grande inimigo do 1º turno para os tucanos foi este. Mas o gostinho da “vitória” foi sentida quando Serra conseguiu levar as eleições para o segundo turno como queria, com 32,6% dos votos. Nada tem mais a ressaltar dele no 1º turno. Era só lançar novas estratégias de campanha, conseguir mais votos do que conseguira no primeiro turno, e esperar o que iria acontecer. Sem dúvida, os votos que Serra buscava era do pessoal da narrativa que vem aqui em baixo...

 

O lado verde da história

E aqui chega o outro ponto de extrema importância dessa bonita história das eleições brasileiras. Marina Silva e seu partido eram apontados pelos institutos de pesquisa com 10% das intenções de votos, não mais que isso. Como já relatado aqui, é relevante o papel dessas pesquisas divulgadas no resultado. Entretanto, com o fim do 1º turno, a grande vitória, maior que a dos petistas (óbvio), maior que a dos tucanos, foi a vitória verde no país. Em uma demonstração de força, de democracia, de novas ideias ganhando espaço no Brasil e mais um erro fortissimo nas pesquisas, a candidata Marina Silva beirou os 20% dos votos no Brasil. Numericamente, em relação aos outros, parece pouco. Mas representa muito mais daquilo que parece. Representa uma nova ideologia ganhando espaço no Brasil: a ideologia da sustentabilidade. A ideia de que o Brasil gosta e pede de um novo discurso sendo discutido em cenário nacional aparenta que novos tempos estão por vir.

Vale ressaltar: esse percentual mudaria a eleição caso Marina Silva apoia-se um dos dois “finalistas”. E era o que os dois tentariam no segundo turno, mas que não seria tão fácil como parecia.

Ei,ei, ei, mas ela não perdeu? Não ficou só no primeiro turno? Certamente sim. Mas como já dito, uma nova ideia toma conta da cabeça do brasileiro e não só isso: temos que nos preparar para 2014. Marina Silva, o PV e sua nova ideologia e maneira de ver a política vão vir com tudo na próxima eleição. Não se surpreenda se Marina Silva estiver no lugar onde Dilma ocupa neste contexto que vivemos.