Saia da internet e vá ler um livro! Saiba o porquê.

16-12-2010 14:41

   Falar de literatura infantojuvenil é difícil, dá vontade de vomitar as palavras que me vem à cabeça porque afinal, é uma coisa que particularmente gostamos muito. Bom, em primeiro lugar encontramos este texto e nos identificamos pelo fato de acharmos que a leitura é tão importante quanto o estudo, ela faz parte do processo de alfabetização. Como diz o grande escritor e ilustrador Ziraldo “Ler é mais importante que estudar”, mas acho que não seja bem assim, acho que ler é tão importante quanto estudar, principalmente na infância. Sabe, gosto de ler livros infantojuvenis porque eles não só nos fazem fugir da realidade, eles nos fazem encontrar elementos da nossa realidade dentro da fantasia, nos fazem viver aquelas palavras, como se estivéssemos dentro daquela aventura. Além disso, eles ajudam a resgatar a criança e a fantasia que temos dentro de nós. Se você é pai ou mãe, estimule a leitura no seu filho, e mesmo sendo pai ou não, saia já da internet e vá ler um livro! :D

 

Literatura infantojuvenil é desprezada pelas autoridades.

   "A população escolarizada no Brasil é deficiente, existindo o fato já bastante divulgado de 4 milhões de crianças dos sete aos 14 anos estarem fora das escolas. Para que o país consiga vencer os graves problemas sociais que atravessa, inclusive o da educação, será preciso que se comece na infância a corrigir tais distorções. O incremento do hábito de leitura seria um dos primeiros passos. Os pais devem considerar o livro como um instrumento com que a criança tenha um relacionamento íntimo, no qual vai aprender lições que ajudarão muito na sua formação posterior. [...] Essa relação deve ser bem natural, e de forma lúdica, tanto em casa quanto na escola. [...] A literatura infantojuvenil tem ocupado um grande espaço nos meios de comunicação de massa, nos últimos anos, devido a fatores históricos como, por exemplo, o bicentenário de nascimento dos irmãos Grimm, o "julgamento" do Lobo Mau por um tribunal de Veneza e o relançamento do desenho animado Branca de Neve e os Sete Anões, apresentado pela primeira vez há 60 anos. Aqui no Brasil, a literatura infantojuvenil parece ter alcançado finalmente o seu merecido lugar, com a consolidação das livrarias especializadas que, apesar do pequeno número, mostram que já temos um público definido e interessado. As vendas crescem de modo constante e expressivo. Também o surgimento da crítica especializada, nos principais órgãos de imprensa, tem contribuído muito para desmistificar uma falsa realidade, antes lida como verdadeira - a de que a literatura infantojuvenil era um gênero de segunda categoria. [...] Se antes tínhamos que nos sujeitar à tradução de obras estrangeiras, hoje o que se vê é outra realidade. [...] Passou-se a questionar a realidade brasileira por intermédio de um humor feito com bastante seriedade. A questão da fantasia ou realidade deixou de ser relevante, o que importava (e ainda importa) era a criança vista como um ser humano e não como um pré-adulto, ou um adulto miniaturizado. E onde entra Monteiro Lobato, depois do surgimento dessa corrente? Simplesmente ele é imbatível. A literatura infantojuvenil brasileira tem nele o seu divisor de águas. Apesar de ter sido um escritor conservador para os adultos, Monteiro Lobato era modernista para as crianças. E foi o primeiro a criar a fantasia "abrasileirada", sem trenós, neves e outros elementos estranhos à nossa realidade, numa época em que o pouco que produzia era uma cópia de modelos estrangeiros. A função social da literatura infantil ultrapassa a sua própria expectativa, pois é na infância que se forma o hábito ou gosto pela leitura. A existência hoje de uma literatura infantojuvenil brasileira amadurecida é um fato que merece a maior consideração. [...] "

Nelson Valente

professor universitário, jornalista e escritor

http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/12/15199-literatura+infantojuvenil+e+desprezada+pelas+autoridades.html