A triste realidade :S ( Pensando bem )

A triste realidade :S  ( Pensando bem )

Depois de viver duas realidades um tanto diferentes, percebemos um abismo gritante e resolvemos botar a boca na butija :P. Bom, desde o ensino fundamental estudamos em escola pública, mas pra ser beem sincero estudar não era muito o nosso forte até a sexta, sétima série. Então adoráavamos nossa escola, afinal, educação não era a coisa mais importante naquele lugar :S. Porém, quando chegamos na oitava série percebemos que fazer o ensino médio ali, ou na outra escola que somos recomendados no final do ano pelo estado não nos levaria a uma universidade ( ou seria bem difícil )! Começamos a estudar pra valer e nos esforçar de verdade seja para conseguir uma bolsa em uma escola particular seja para entrar no ensino médio técnico da UTFPR. Bom, não precisa nem dizer que a partir daí começamos a perceber as brexas do ensino público brasileiro . Mas nossa percepção era só o começo. Aaaaah caro leitor, você deve estar pensando... “Aah não, lá vem aqueles textos dizendo que o governo não investe o suficiente na educação e blá.. blá.. blá...” Vontade até nos vem de escrever isso, mas não o faremos, apenas faremos um relato daquilo que presenciamos, bem pessoalzinho!

   Na oitava série, como já falamos, estudamos bastante e, como consequência ganhamos uma bolsa em uma escola de elite de Curitiba, cuja mensalidade é quase toda a renda das nossas casas. Então passamos os anos de maior esforço e estudo ( até hooje :p) das nossas vidas! Nossa, pudemos sentir na pele o que é educação de verdade, aprender em dois anos o que não aprendemos em 8, poder conviver em uma estrutura que não conhecíamos igual, entre outras coisas. Olha, pra ser bem sincero, não sabemos se todas as escolas particulares são assim, não conhecemos outra para poder comparar, mas podemos dizer com sinceridade que esta escola se preocupa de verdade com aquilo que está sendo ensinado e com aquilo que seus alunos serão enquanto seres humanos... Por outro lado, não sabemos se todas as escolas públicas são como a que estudamos, na verdade acreditamos que existem piores, afinal esta estadual que estudamos no ensino fundamental era considerada uma das melhores em Curitiba!

   Em primeiro lugar gostaríamos de desabafar confessando que desistimos de tentar encontrar uma causa para o problema do ensino público :S. Afinal, todos podem ser culpados! Podemos dizer que é culpa do aluno que por sua falta de interesse acaba disvirtuando o objetivo da escola, afinal quem faz a escola são os alunos não é mesmo? Não, não somente. Se o aluno é desinteressado, é porque falta algum elemento que o torne interessado. A partir daí podemos culpar o professor, que por causa do baixo salário e da segurança em ser um funcionário público relaxa e esquece que está ali por causa da educação. Opa, opa, opa, mas nós falamos em baixos salários, então podemos culpar o governo que não investe o suficiente em educação? ( Ok, ook, foi impossível fugir deste assunto :p ) Talvez sim, talvez não. Na verdade acreditamos que por diversos fatores o fracasso da educação pública se tornou uma bola de neve! Mas enfim, voltaremos aos relatos...

   Bom, mas para mostrar as diferenças devemos fazer comparações certo?! Então iremos a elas. De muitos elementos são compostos uma escola, professores, alunos, disciplina, conteúdo, entre outras coisas. Comparação 1) temos certeza de que os professores da escola pública em que estudamos são pessoas realmente muito boas e que assim como nós, ainda acreditam em uma educação pública adequada. Mas suas aulas em questão de conteúdo digamos que deixavam a desejar. Alguns até davam aula, mas em comparação com professores da escola particular, muito precário. Professores estaduais são pessoas que mesmo que três ou quatro alunos que realmente estudam fossem reclamar de suas aulas, não seriam demitidas. Já na escola particular, todo semestre há uma avaliação dos professores feita pelos alunos, e se um professor vai extremamente mal na avaliação seu emprego com certeza está por um fio. Fora que, de alguma maneira, a direção sabe quando a matéria está sendo bem dada ou não e logo logo já dá um puxão de orelha nos professores. Comparação 2) Os alunos da escola pública, justamente pela falta de instrução e disciplina, são pessoas que raramente tem uma perspectiva para suas vidas, fazendo delas uma grande brincadeira. Não que todos os alunos da escola particular sejam pessoas corretíssimas, não é isso. É que se um aluno torna seu estudo uma brincadeira, ele difícilmente permanecerá na escola particular. Ou por ser 'convidado a se retirar :p' ou por ser reprovado mesmo e os pais o colocam em escola estadual para passar. Comparação 3) Quando alguns alunos se envolveram com drogas, não droga pesada, mas droga, logo foram tomadas providências para que eles fossem expulsos da escola. Já na escola pública também não é que tenha drogas pesaadas, mas todo mundo sabe que a grande maioria dos alunos usam de vez em quando, incluse dentro da escola. Ou seja, em um lugar é comum usar, a maioria usa, no outro é uma exceção que deve ser desligada imediatamente do colégio, antes de influenciar os outros.Comparação 4) As brigas eram constantes no colégio público, todos os dias tinham uma ou duas brigas, já na escola particular quando houve uma briga, não uma briga, mas uma discussão que teoricamente levaria a uma briga, os alunos foram suspensos e aquilo foi tratado como uma coisa impressionante que não poderia acontecer. Não que nada fosse feito na outra escola, os alunos levavam ocorrência e tudo mais, porém era tratado como algo comum. O comportamento perante isso era outro.

   Agora, Poooooopuuulação do nosso Brasiil baronil, isso que vamos contar agora, não é uma coisa pra se ficar abismado não, é uma coisa que acontece com muita frequencia nas escolas públicas!! Não inventamos, não queremos achar argumentos fortes. Isso que vamos falar foi testemunhado por uma professora nossa, em uma conversa que tivemos em uma 'aula de fazer nada'. Ela era nossa amiga, nós queríamos saber qual era nossa média do terceiro bimestre e ela, justificando ( um pouco indignada também), nos soltou essa que vamos contar. Comparação 5) É assim, todo bimestre, antes de sair o boletim, os professores nos passavam nossas médias, coisa que estranhamente eles eram proibidos de fazer no terceiro e quarto bimestre. Isso ocorria porque no conselho de classe, ao avaliarem a situação do aluno, era comum algumas notas serem alteradas para que o aluno não reprovasse!!!

 

OBS:Como se fosse assim: no final do ano, para passar, é preciso acumular 240 pontos. Um aluno acumulou no primeiro e no segundo bimestre 60 pontos. Teoricamente, o mínimo para conseguir tentar passar no quarto bimestre é tirar 80 pontos no terceiro ( porque 60 ( 1° e 2° bim ) + 80 (3° bim ) = 140. Então ele teria que tirar 100 ( 140 [1°,2° e 3° bim] + 100 [ 4°bim] = 240 ) no quarto bimestre para passar, ou seja, a nota máxima. Mas, por um acaso, tirou no terceiro bimestre 60. Ixii, complicou, porque ficou para tirar no último bimestre 120!! Impossível quando o máximo é 100. Então como é que faz: os professores aumentam a nota do terceiro bimestre de 60 para 80, para ter a possibilidade de passar no quarto bimestre!!

 

Isso não é submundo não, isso é realidade de escola de centro da capital do Estado que tem o melhor ensino público do Brasil! Dá para acreditar? As vezes não, mas acontece. Mas você sabe porque que fazem isso? Fazem por uma coisa que chamam de ' cota de reprovação'. Vamos raciocinar. Em 1 ano do colégio 'x' reprovam, digamos, uns 25 alunos, de umas 8 salas. Entretanto, em um outro colégio 'y' reprovam, nas mesmas 8 salas, 40 alunos. Imagina como a secretária de educação vai olhar para essa escola. Certamente vão pensar: “ Tem alguma coisa errada lá”. Aí podem acontecer várias coisas, como investigar o colégio e ver seus métodos de ensino, podem muitas vezes fazer o famoso corte de verba, ou mesmo trocar o diretor do colégio. Várias coisas. Aí pensa: o que um colégio vai fazer para não trazer nenhuma dessas surpresinhaas para seu ambiente?! Fazer com que pareça que está tudo ok, o ensino está bem legaal e tudo mundo sai feliz. O aluno sai do colégio pensando que passo de ano ( mas na verdade não aprendeu nada e nãi vai passa no vestibular. Muito bom, pois os políticos precisam de massa de manobra para manipular! ), os professores continuam da mesma maneira com o seu salário, seu emprego e sem trabalhar muito ( a antiga filosofia: “ Você finge que aprende que eu finjo que ensino! ), e os diretores e funcionários do colégio continuam com seus empregos e ganhando seus salariozinhos para ficarem quietos. Acreditem povo, é assim que funciona a educação da nossa querida pátria. Não sabemos se em todos os estados e colégios, mas acreditamos que aqui não deve ser fora do comum. Sim, algumas pessoascmuitas vezes pagam educação duas vezes, porque a educação pública não tem a qualidade que deveria ter, mas continuamos pagando os impostos. Mesma coisa com saúde e segurança.

   Bom, esse foi um relato daquilo que vivemos e aprendemos durante nossa vida acadêmica, até agora. Mas agora o que me pergunto é: o que podemos fazer para mudar essa situação? Acho que há dois caminhos, um é você entrar no mundo da política, não ser contaminado pela corrupção e se tornar um ótimo presidente que vai direcionar grandes investimentos para a educação. O outro é você, enquanto aluno, valorizar seu professor, sua escola, sua educação, fazer a sua parte. Sabemos que é difícil estudar na escola pública, já que está sem incentivo, sem nenhuma motivação. Mas leve o seu futuro como a sua motivação! Lembre que você estudar ou não é uma escolha sua e não depende só dos fatores externos. Esse papo até parece decorado, mas não é, é realidade, todo mundo sabe que se cada um fizer a sua parte as coisas podem mudar. O único apelo que faço é: não desistam da educação, ela é o único caminho pra um país e uma vida melhor! ;D