Dom Casmurro

Dom Casmurro

Machado de Assis foi um dos maiores escritores da literatura brasileira, nasceu e morreu no Rio de Janeiro (1839-1908), foi um dos precursores do realismo no Brasil, além de fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras. Suas obras como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, trazem os traços da irreverência do escritor, caracterizado por suas narrativas não-lineares, sua ironia e sua ambigüidade.

O livro Dom Casmurro é marcado por um duvidoso caso de adultério. A obra é escrita na primeira pessoa, onde Bentinho conta sua vida e narra o que ele presencia, o que nos permite ver apenas um lado da história.

Na sua juventude, Bentinho era um rapaz que morava com sua viúva mãe, Dona Glória, e seus também viúvos tio Cosme e prima Justina, além do agregado José Dias.

Ele era apaixonado por Capitu, uma bela e envolvente menina com quem conviveu desde pequeno. Seu futuro estava planejado há tempo, pois sua mãe havia feito uma promessa de que ele iria para o seminário e tornaria-se padre. E assim o fez, Bentinho foi para o seminário, mas sempre com o desejo de sair de lá para casar-se com Capitu. José Dias, que sempre foi contra o namoro, foi quem conseguiu tirar Bentinho do seminário e o levou para estudar no exterior. Enquanto ele esteve no seminário, fundamentou um grande laço de amizade com Escobar, quem mais tarde viria a ser seu melhor amigo. Tempos depois, voltando do exterior, Bentinho casa-se com Capitu e nasce seu filho, Ezequiel.

Escobar, seu melhor amigo, falece. Durante o seu velório, Bentinho vê em Capitu uma lágrima escorrer de seus olhos. A partir de então, começa o drama de Bentinho, que passa a se lembrar de algumas vezes que encontrou Escobar em sua casa quando não estava, começa a ver em Ezequiel os olhos do falecido, teria Capitu traído Bentinho? Essa dúvida faz crescer o desespero do narrador ao longo dos anos, que termina sua narrativa sem esclarecer ao leitor o realmente havia acontecido.

Esta narrativa traz uma das mais intrigantes e inovadoras obras realistas de Machado de Assis, que nos traz empolgação através das suas originais idéias de dialogar com o leitor e de narrar de forma não-linear seu romance. O autor, um negro pobre do século XIX, coloca em sua obra os defeitos da sociedade e suas desigualdades. Evidencia o ser humano em seu pior estado e seus piores sentimentos. Uma crítica se faz presente em suas obras, bem como o amargo de sua vida e suas dificuldades e, nós leitores conseguimos perceber isto. Mas, sem dúvida, a maior marca e que deixa cada vez mais as palavras e narrativas de Machado de Assis na história é a sua capacidade de trazer temas tão atuais mesmo sendo de mais de 1 século atrás.


 

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. Rio de Janeiro, 1899 . Editora Ática, 184 p.